sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A música como língua comum - Arthur Schopenhauer

Quem souber a autoria da caricatura, por favor, avise-me!
Para quem visita esse blog, está muito claro o meu gosto pela música. Agora, decidi traduzir um texto de outro declarado apreciador da arte dos sons, o filósofo Arthur Schopenhauer (1788 - 1860), que, contra o pensamento estético de Hegel - muito forte em alguns lugares também aqui no Brasil -, que via na poesia a mais elevada das artes, pensava a música como uma forma de conhecimento e como a mais elevada das artes - por isso a discórdia ao fim do texto. Não encontrei esse texto em nenhuma biblioteca virtual, por isso o transcrevo abaixo, seguido da tradução. Ele foi retirado de um livro sobre música chamado Lust an der Musik (O Prazer da música), que me foi dado de presente pela minha amiga Elis Piera Rosa - Obrigado, Elis!




Musik als allgemeine Sprache

Die Musik ist die wahre allgemeine Sprache, die man überall versteht: daher wird sie in allen Ländern und durch alle Jahrhunderte, mit großem Ernst und Eifer, unaufhörlich geredet, und macht eine bedeutsame, vielsagende Melodie gar bald ihren Weg um das ganze Erdenrund; während eine sinnarme und nichtssagende gleich verhallt und erstirbt; welches beweiset, daß der Inhalt der Melodie ein sehr wohl verständlicher ist. Jedoch redet sie nicht von Dingen, sondern von lauter Wohl und Wehe, als welche die alleinigen Realitäten für den Willen sind: darum spricht sie so sehr zum Herzen, während sie dem Kopfe unmittelbar nichts zu sagen hat und es ein Mißbrauch ist, wenn man ihr dies zumutet, wie in aller malenden Musik geschieht, welche daher, ein für allemal, verwerflich ist; wenngleich Haydn und Beethoven sich zu ihr verirrt haben: Mozart und Rossini haben es, meines Wissens, nie getan. Denn ein anderes ist Ausdruck der Leidenschaften, ein anderes Malerei der Dinge.

Auch die Grammatik jener allgemeinen Sprache ist aufs Genaueste reguliert worden; wiewohl erst seitdem Rameau den Grund dazu gelegt hatte. Hingegen das Lexikon, ich meine die, laut Obigem, nicht zu bezweifelnde, wichtige Bedeutung des Inhalts derselben, zu enträtseln, d. h. der Vernunft, wenn auch nur um allgemeinen, faßlich zu machen, was es sei, das die Musik, in Melodie und Harmonie, besagt, und wovon sie rede, dies hat man, bis ich es unternahm, nicht einmal ernstlich versucht; – welches, wie so vieles andere, beweist, wie wenig überhaupt zur Reflexion und zum Nachdenken geneigt die Menschen sind, mit welcher Besinnungslosigkeit vielmehr sie dahinleben. Überall ist ihre Absicht, nur zu genießen und zwar mit möglichst geringem Aufwande von Gedanken. Ihre Natur bringt es so mit sich. Daher kommt es so possenhaft heraus, wenn sie vermeinen, die Philosophen spielen zu müssen; wie an unsern Philosophieprofessoren, ihren vortrefflichen Werken und der Aufrichtigkeit ihres Eifers für Philosophie und Wahrheit zu sehn ist.


Allgemein und zugleich populär redend kann man den Ausspruch wagen: die Musik überhaupt ist die Melodie, zu der die Welt der Text ist. Den eigentlichen Sinn desselben aber erhält man allein durch meine Auslegung der Musik.

Nun aber das Verhältnis der Tonkunst zu dem ihr jedesmal aufgelegten bestimmten Äußerlichen, wie Text, Aktion, Marsch, Tanz, geistliche, oder weltliche Feierlichkeit usw. ist analog dem Verhältnis der Architektur als bloß schöner, d. h. auf rein ästhetische Zwecke gerichteter Kunst zu den wirklichen Bauwerken, die sie zu errichten hat, mit deren nützlichen, ihr selbst fremden Zwecken sie daher die ihr eigenen zu vereinigen suchen muß, indem sie diese under den Bedingungen, die jene stellen, doch durchsetzt, und demnach einen Tempel, Palast, Zeughaus, Schauspielhaus usw. so hervorbringt, daß es sowohl an sich schön, als auch seinem Zwecke angemessen sei und sogar diesen, durch seinen ästhetischen Charakter, selbst ankündige. In analoger also, wiewohl nicht ebenso unvermeidlicher Dienstbarkeit steht die Musik zum Text, oder den sonstigen, ihr aufgelegten Realitäten. Sie muß zunächst dem Text sich fügen, obwohl sie seiner keineswegs bedarf, ja, ohne ihn, sich viel freier bewegt: sie muß aber nicht nur jede Note seiner Wortlänge und seinem Wortsinn anpassen; sondern auch durchweg eine gewisse Homogeneität mit ihm annehmen und ebenso auch den Charakter der übrigen, ihr etwan gesetzten, willkürlichen Zwecke tragen und demnach Kirchen-, Opern-, Militär-, Tanz-Musik u. dgl. m. sein. Das alles aber ist ihrem Wesen so fremd, wie der rein ästhetischen Baukunst die menschlichen Nützlichkeitszwecke, denen also beide sich zu bequemen und ihre selbsteinigen den ihnen fremden Zwecken unterzuordnen haben. Der Baukunst ist dies fast immer unvermeidlich; der Musik nicht also: sie bewegt sich frei im Konzerte, in der Sonate und vor allem in der Symphonie, ihrem schönsten Tummelplatz, auf welchem sie ihre Saturnalien feiert.

Ebenso nun ferner ist der Abweg, auf welchem sich unsere Musik befindet, dem analog, auf welchen die römische Architektur unter den spätern Kaisern geraten war, wo nämlich die Überladung mit Verzierungen die wesentlichen, einfachen Verhältnisse teils verstecke, teils sogar verrückte: sie bietet nämlich vielen Lärm, viele Instrumente, viel Kunst, aber gar wenig deutliche, eindringende und ergreifende Grundgedanken. Zudem findet man in den schalen, nichtssagenden, melodielosen Kompositionen des heutigen Tages denselben Zeitgeschmak wieder, welcher die undeutliche, schwankende, nebelhafte, rätselhafte, ja, sinnleere Schreibart sich gefallen läßt, deren Ursprung hauptsächlich in der miserablen Hegelei und ihrem Scharlatanismus zu suchen ist.

Gebt mir Rossinische Musik, die da spricht ohne Worte! – In den Kompositionen jetziger Zeit ist es mehr auf die Harmonie, als die Melodie abgesehn: ich bin jedoch entgegengesetzer Ansicht und halte die Melodie für den Kern der Musik, zu welchem die Harmonie verhält, wie zum Braten die Sauce.

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A Música como língua comum

A Música é a verdadeira língua comum, que se entende por todo lugar: por isso, ela ser comentada ininterruptamente em todas as terras e através de todos os séculos, com grande seriedade e entusiasmo, e  uma melodia significativa e cheia de sentido fazer o seu percurso torno de todo o mundo muito rapidamente; enquanto uma melodia pobre de sentido e que não diz nada desaparece e morre; o que confirma, que o conteúdo da melodia é muito bem entendido. Porém, elas não falam de coisas, mas nada além da alegria e da dor, como aquelas únicas realidades são para a Vontade: daí ela fala muito para os corações; quando ela não tem nada a dizer imediatamente para a cabeça é um abuso esperar isso dela, como acontece em toda Música Figurativa, que, por isso, é de uma vez por todas repreensível; embora Haydn e Beethoven tenham se perdido por esse caminho; Mozart e Rossini, pelo meu conhecimento, nunca o fizeram. Pois uma é expressão das paixões, a outra, pintura das coisas.

Também a gramática dessa língua comum é regulada da forma mais precisa; embora só desde que Rameau colocou os fundamentos para isso. Contudo, o vocabulário, eu penso, conforme dito acima, o importante significado, de que não se pode duvidar, do próprio conteúdo, quer dizer, a razão, quando também feita palpável apenas em torno de generalidades, que seria, o que a Música diz na melodia e na harmonia, e sobre o que ela fala; até onde compreendi, não tentou-se seriamente decifrar nem uma vez; - o que, como tantas outras coisas confirma absolutamente, o quão pouco as pessoas são inclinadas à reflexão e ao pensamento; e com que inconsciência, ao contrário, elas vivem. Em todo lugar é sua intenção, apenas aproveitar e, de fato, com o menor esforço possível do pensamento. Sua natureza a traz assim consigo. Portanto, surge assim de modo farsesco, quando elas pensam ter de interpretar os filósofos; como é visível aos nossos professores de filosofia, seus excelentes trabalhos e a sinceridade de seu entusiasmo pela filosofia e pela verdade.

Em geral e ao mesmo tempo, popularmente falando, pode-se arriscar: a Música em si é a melodia, para a qual o mundo é o texto. O verdadeiro significado do mesmo, porém, obtém-se sozinho, através de minha interpretação da música.

Mas agora a relação da arte dos sons, para aqueles sempre abertos a ela, determinam o externo como texto, ação, marcha, dança, festividade espiritual ou mundana, etc. é análogo à relação com a arquitetura como apenas bela, quer dizer, sobre a arte direcionada para fins puramente estéticos aos quais a construção real, que ela criou, com cujas utilidades, deve, por isso, buscar unir a fins estranhos, nos quais ela coloca estes sob as condições daquele, mas intercaladas, e portanto produz assim um templo, palácio, arsenal, teatro, etc., que é tanto belo em si, quanto seu fim apropriado, e até este mesmo se faz conhecer, através de suas características estéticas.

Assim, de modo análogo, apesar da também inevitável serventia, a música tem para o texto, ou qualquer  outra coisa, sua realidade colocada. Ela deve primeiro se unir ao texto, embora ela não necessite dele de modo algum; sim, sem ele, mover-se-ia de modo mais livre: ela deve porém não apenas adequar cada nota à duração das palavras e seu significado; mas também, consistentemente, aceitar alguma homogeneidade com ele e também ao caráter do restante; seu fim arbitrariamente colocado deve, portanto, ser como música de Igreja, Ópera, Militar, Música de Dança e semelhantes. Isso tudo, porém, é tão estranho à sua essência, como os fins utilitários humanos à pura arquitetura estética, os quais subordinam aos estranhos fins o conforto e sua qualidade rochosa. À arquitetura, isso é quase sempre inevitável; à música não é assim: ela move-se livre em um concerto, na sonata e sobretudo na sinfonia, seu belo viveiro, sobre o qual ela festeja sua saturnália.

Mas agora está longe no mal caminho sobre o qual nossa música se encontra, análogo àquele da arquitetura romana gerado pelos últimos césares, onde, notadamente, a sobrecarga de ornamentos, em parte esconde, em parte até mesmo desloca, as simples relações essenciais: eles oferecem, notadamente, muito barulho, muitos instrumentos, muita arte, mas muito poucos pensamentos essenciais penetrantes e pungentes. Além disso, encontra-se novamente nas composições insossas, que não dizem nada e sem melodia dos dias de hoje, o mesmo gosto de época, daqueles que se deixam gostar dos escritos obscuros, vacilantes, nebulosos, enigmáticos, e até sem sentido, cuja origem é encontrada principalmente no miserável hegelianismo e seu charlatanismo.

Dê-me a música de Rossini, que fala, pois, sem palavras! - Nas composições contemporâneas exige-se mais da Harmonia que da Melodia: eu sou, porém, de visão contrária e mantenho a Melodia como o cerne da música, à qual a Harmonia se relaciona, como o molho para o assado.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O Gato de Botas

"O Gato de Botas" ("Der gestiefelte Kater") apareceu apenas na primeira edição do Kinder- und Hausmärchen de 1812 dos Irmãos Grimm sendo posteriormente suprimido, provavelmente, por suas origens francesas, já que integrou a coletânea de contos de Charles Perrault, publicada muito antes em 1697. Essa supressão do conto na segunda edição dos contos dos Grimm foi realmente uma pena, pois a história do Gato de Botas se difundiu de tal maneira que ganhou inúmeras versões, incluindo adaptações para o teatro, das quais ressalta-se a versão de Ludwig Tieck (disponível no Projekt Gutenberg) de 1797, além de numerosas versões em desenho animado, das quais as aparições na série de filmes do Shrek e na versão mais recente O Gato de Botas, dedicada apenas a essa personagem, são apenas mais algumas visões desse carismático personagem. A tradução apresentada abaixo é baseada no conto dos Grimm publicado em 1812.



O Gato de Botas

Um moleiro tinha três filhos, seu moinho, um burro e um gato. Os filhos deviam moer, o burro, buscar os grãos e carregar a farinha e o gato, livrar-se dos ratos. Quando o moleiro morreu, os três filhos dividiram a herança entre si: o mais velho recebeu o moinho, o segundo, o burro; o terceiro o gato, nada além lhe restou. Então ele ficou triste e dizia para si mesmo: "Eu fiquei com o pior de tudo, meu irmão mais velho pode moer; meu segundo irmão pode cavalgar sobre seu burro; o que eu posso começar com o gato? Deixe-me fazer um par de luvas de pele a partir de seu couro, assim acabo com isso." "Escute - começou o gato, que tinha entendido tudo o que havia sido dito - você não precisa me matar, para conseguir um par de luvas ruins feitas da minha pele, deixe-me apenas fazer um par de botas, para que eu possa sair e deixar-me ver sob outras pessoas, então você vai ser logo ajudado." O filho do moleiro se admirou, que o gato assim falava, porque justo nesse momento passava o sapateiro! Chamaram-no para dentro e deixaram que ele medisse um par de botas para o gato. Quando elas estavam prontas, o gato as calçou, pegou um saco, encheu-o de grãos, mais um cordão em cima, com o qual se podia fechar, então jogou-o nas costas e andou sobre duas pernas, como uma pessoa, da porta a fora. Naquele tempo, um rei, que gostava muito de comer perdizes, governava o pais: porém havia uma falta no reino, e nenhuma perdiz podia ser conseguida. Toda a floresta estava cheia delas, mas elas eram tão tímidas, que nenhum caçador conseguia alcançá-las. O gato sabia disso e pensou em fazer suas coisas de um jeito melhor; quando ele entrasse na floresta, abriria o saco, espalharia os grãos afastados, mas deixaria o cordão na grama e ele conduziria para trás de um arbusto. Lá ele mesmo se esconderia furtivamente e espreitaria. As perdizes logo vieram correndo, encontraram os grãos e uma atrás da outra saltaram para dentro do saco. Quando já havia um bom número ali dentro, o gato puxou o cordão, enrolou e fechou-o; então, jogou o saco nas costas e foi direto para o castelo do Rei. O sentinela gritou: "Alto! Onde vai?" – "Até o rei" respondeu o gato rapidamente. - "Você é maluco, um gato até o rei?" - "Apenas deixe ele ir, disse um outro, o rei tem sempre muito tempo, talvez o gato o divirta com seus rosnados e disparates." Quando o gato chegou à frente do rei, fez uma reverência e disse: "Meu Senhor, o Conde, daí ele mencionou um longo e pomposo nome, permite-se recomendar ao rei e enviá-lo estas perdizes aqui, que ele tem agora mesmo presas nessa armadilha". O rei admirou-se com as belas e gordas perdizes, não se continha de alegria e ordenou que colocassem no saco do gato tanto ouro de sua câmara dos tesouros, quanto ele pudesse carregar: "Leve isso ao seu senhor e agradeça-o ainda muitas vezes pelo seu presente."

O pobre filho do moleiro, porém, estava sentado em casa à janela, apoiava a cabeça na mão e pensava, que ele agora tinha desperdiçado seus últimos centavos para as botas do gato, e o que isso poderia lhe trazer de melhor. Então, entrou o gato, lançou o saco das costas, desamarrou-o e espalhou o ouro na frente do moleiro: Aí você tem algo pelas botas! O Rei permitiu também lhe cumprimentar e dizer muito obrigado". O moleiro estava feliz com a riqueza, sem que ele ainda pudesse perceber, como ela tinha chegado. Mas o gato, enquanto tirava suas botas, contou-lhe tudo, então lhe disse: "Agora você tem mesmo dinheiro suficiente, mas não pode ficar assim, amanhã vou calçar minhas botas de novo e você deverá ficar ainda mais rico. Eu também disse ao rei que você é um Conde". No outro dia foi o gato, como ele havia dito, com suas botas bem vestidas para a caçada, e trouxe ao rei uma farta presa. Assim iam todos os dias, e o gato trazia todo dia ouro para casa, e era tão querido pelo rei, que lhe era permitido ir para lá e para cá e se esgueirar pelo castelo, por onde quisesse. Uma vez, estava o gato na cozinha do rei e se aquecia perto do fogão, então veio o cocheiro e praguejou: "Eu queria que o rei junto com a princesa estivessem nas mãos do carrasco... Queria ir à taberna e uma vez beber e jogar cartas, mas daí devo levá-los de carruagem para passear à beira mar..." Assim que o gato ouviu isso, foi furtivamente para casa e disse para o seu senhor: "Se você quiser se tornar um conde rico, venha comigo para o mar e se banhe lá." O moleiro não sabia de nada, do que deveria dizer, porém seguiu o gato, foi com ele, despiu-se, completamente nu, e pulou na água. Mas o gato pegou suas roupas, levou-as além e as escondeu. Mal ele tinha feito isso, veio o rei até ali conduzido; o gato começou imediatamente a se lamentar infeliz: "Ah! Todo piedoso rei! Meu senhor se banhava aqui no mar, então veio um ladrão e lhe roubou as roupas, que jaziam na margem, agora está o Senhor Conde na água e não pode sair, e se ele ficar lá por muito tempo, irá se resfriar e morrer." Como o rei ouvia isso, fez uma parada e um de seus homens deveria disparar de volta e buscar uma das roupas do rei. O Senhor Conde vestiu as esplendorosas roupas, e porque o rei de qualquer modo estava afeiçoado por ele, por causa das perdizes, que ele pensava tinham lhe sido apanhadas, assim deveria o conde se sentar junto com ele na carruagem. A princesa também não estava zangada com isso, pois o Conde era jovem e bonito, e ele agradava-a muito bem.

O gato, porém, estava à frente e chegou a uma grande campina, onde estavam mais de cem pessoas e preparavam o feno. "Hei, pessoal, de quem é esse campo?" perguntou o gato. - "De um grande feiticeiro." - "Escutem, agora o rei passará brevemente por aqui, se ele perguntar, a quem pertence esse campo, assim respondam: ao Conde; e se vocês não fizerem isso, vão todos apanhar até a morte." - Em seguida, o gato foi mais longe e chegou a um campo de grãos, tão grande, que ninguém deixaria de notar, lá haviam mais de duzentas pessoas e cortavam o centeio. "Hei, pessoal, de quem são esses grãos?" - "Do feiticeiro" - "Ouçam, agora o rei passará por aqui brevemente, se ele perguntar, a quem pertence o centeio, assim respondam: ao Conde, e se vocês não fizerem isso, vão todos apanhar até a morte." - Finalmente chegou o gato a uma esplendorosa floresta, lá estavam mais de trezentas pessoas, que cortavam grandes carvalhos e faziam lenha. - "Hei, pessoal, de quem é essa floresta?" - "Do Feiticeiro" - "Ouçam, agora o rei passará por aqui brevemente, se ele perguntar, a quem pertence a floresta, assim respondam: ao Conde, e se vocês não fizerem isso, vão todos ser mortos." O gato foi ainda além. As pessoas o examinavam e porque ele parecia tão admirável, e como se uma pessoa de botas por lá passasse, elas o temiam. Ele chegou logo ao castelo do Feiticeiro, entrou e apresentou-se audaciosamente diante dele. O Feiticeiro o olhou com desdém e perguntou-lhe, o que ele queria. O gato fez uma reverência e disse: "Ouvi dizer, que você de acordo sua vontade poderia se transformar em qualquer animal; no que concerne a um cachorro, raposa ou também um lobo... Nisso eu provavelmente acreditaria... Mas num elefante! Isso me parece muito impossível, e por isso eu vim aqui e para me surpreender a mim mesmo". O Feiticeiro disse orgulhoso: "Isso para mim é uma ninharia," e num piscar de olhos se metamorfoseou num elefante; "Isso é muito, mas também em um leão?" - "Isso também não é nada," disse o Feiticeiro e parou como um leão em frente ao gato. O gato ficou chocado e gritou: "Isso é inacreditável e jamais ouvido. Algo assim, nunca me veio, nem em sonhos nem em pensamento; mas ainda mais do que todo o resto seria se você pudesse se transformar em um animal tão pequeno quanto um rato. Você pode certamente mais do que qualquer outro feiticeiro do mundo, mas isso seria demais." O Feiticeiro estava tão cordial com as palavras doces e disse: "Oh, sim, querido gatinho, isso eu consigo também" e pulou como um rato por todo o cômodo. O gato foi atrás dele, prendeu o rato com um pulo e o devorou.

Mas o rei passeava mais longe com o Conde e a Princesa, e chegou a um grande campo. "A quem pertence o feno?" perguntou o rei - "ao Senhor Conde" - gritaram todos, como o gato havia ordenado. – "O senhor lá tem um belo pedaço de terra, Senhor Conde," ele disse. Depois chegaram a um grande campo de centeio. "Hei, pessoal, a quem pertence o centeio?" - "ao Senhor Conde." - "Ai! Senhor Conde! grandes e belas terras!" - Daí para a floresta: "Hei, pessoal, a quem pertence essa madeira?" - "Ao Senhor Conde." - O rei se maravilhou ainda mais e disse: "O senhor deve ser um homem rico, Senhor Conde, eu não acredito, que eu tenha uma tão esplendorosa floresta." Finalmente chegaram ao castelo, o gato estava sobre as escadas, e quando o carro parou abaixo, ele saltou, abriu a porta e disse: "Senhor Rei, o Senhor chegou aqui ao castelo de meu senhor, do Conde, essa honras o farão feliz por toda sua vida." O rei desembarcou e maravilhou-se com o esplendoroso prédio, que era quase maior e mais bonito que o seu castelo; o Conde, porém, conduziu a Princesa escada acima e pelo salão, que cintilava a ouro e pedras preciosas.

Assim, a Princesa foi prometida ao Conde, e quando o rei morreu, o Conde foi rei e o gato de botas, entretanto, Primeiro Ministro.